Bovinos

Associação Angus Lança Estudo Inédito para Mapear Touros de Elite no Cruzamento Industrial

Publicado em: 12/07/2026
Associação Angus Lança Estudo Inédito para Mapear Touros de Elite no Cruzamento Industrial

A Associação Brasileira de Angus acaba de lançar uma iniciativa inédita que promete revolucionar o cruzamento industrial no país. O projeto tem como objetivo central identificar, por meio de marcadores genéticos e dados reais de carcaça, quais touros da raça possuem maior potencial de transmissão zootécnica ao serem acasalados com matrizes zebuínas, especialmente da raça Nelore. A estratégia busca elevar a previsibilidade e a padronização do rebanho mestiço de base comercial, impulsionando o volume de animais qualificados a receberem os prêmios do Programa Carne Angus.

O cruzamento industrial de touros taurinos com fêmeas zebuínas ganhou enorme escala na pecuária brasileira, estabelecendo-se como uma das principais ferramentas de produtividade no Centro-Oeste. Atualmente, os exemplares meio-sangue Angus-Nelore já respondem pela maior fatia dos abates certificados do programa da raça. Segundo Carolina Silveira, coordenadora da recém-criada Instituição Científica Tecnológica (ICT) da entidade, o estudo suprirá uma lacuna histórica, mapeando como o efeito do choque de sangue (heterose) atua na transmissão de características como acabamento e marmoreio.

A fase de campo da pesquisa começará em 14 de julho de 2026. A meta imediata prevê o recolhimento de 6 mil amostras genéticas de novilhas meio-sangue diretamente nas linhas de abate. Para tornar a operação viável, a entidade desenvolveu, em parceria com a Embrapa Pecuária Sul, um protocolo cirúrgico inovador baseado na tecnologia TSU, que permite extrair fragmentos de tecido muscular de carcaças resfriadas na indústria — adaptando uma biópsia que antes ficava restrita a tecidos cartilaginosos da orelha de animais vivos.

Os organizadores projetam divulgar o primeiro sumário preliminar com os touros melhoradores para cruzamento em 2027. Em um segundo momento, o banco de dados totalizará 10 mil animais amostrados e análises físico-químicas em 3 mil cortes de carne. O destino final das informações será a formulação de novas Diferenças Esperadas de Progênie (DEPs) genômicas focadas no gado comercial, incluindo uma ferramenta inédita voltada especificamente para a herdabilidade da maciez e suculência da carne, atendendo às exigências diretas do varejo gourmet.

O avanço tecnológico também assegura impacto direto na lucratividade das fazendas. A padronização dos lotes reduz as taxas de refugo nos frigoríficos e eleva as chances de bonificação por qualidade de carcaça. Sob a ótica ambiental, animais mais eficientes atingem o ponto de abate precocemente, diminuindo o tempo de permanência no pasto ou confinamento. Esse ciclo encurtado otimiza o uso de insumos nutricionais, mitigando dejetos e a pegada de emissões de gases de efeito estufa.

No ano anterior, o Programa Carne Angus registrou o abate de 612,2 mil animais, um crescimento de 20%. Porém, o gerente nacional do programa, Maychel Borges, adverte que um a cada quatro bovinos levados à indústria acaba desclassificado por falta de gordura de cobertura ou idade avançada. Com o cruzamento direcionado por dados científicos, a entidade espera reverter essas perdas operacionais, convertendo animais que seriam comercializados como commodity em carne de alta qualidade, gerando maior valor agregado ao pecuarista brasileiro.

Fonte: Globo Rural
Foto: Vide Fonte