Leilões da Conab reduzem ritmo de negócios no mercado de arroz
O mercado brasileiro de arroz em casca segue operando com baixa movimentação, especialmente no Rio Grande do Sul, principal estado produtor do país. Com a colheita da safra 2025/26 praticamente encerrada, produtores e compradores adotam uma postura mais cautelosa diante da elevada oferta disponível e das dificuldades para repassar preços ao longo da cadeia produtiva.
Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os leilões de apoio à comercialização promovidos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também contribuíram para reduzir o volume de negociações no mercado físico nos últimos dias.
Os certames realizados em 26 de maio movimentaram aproximadamente 119,7 mil toneladas de arroz. Para os pesquisadores do Cepea, o direcionamento de parte da produção para as operações subvencionadas fez com que produtores e compradores diminuíssem temporariamente sua atuação nas negociações tradicionais.
O cenário ocorre em um período marcado por ampla disponibilidade do cereal, resultado da conclusão da colheita nas principais regiões produtoras. Com isso, muitos compradores seguem avaliando os impactos dessa oferta elevada sobre a formação dos preços e a disponibilidade de matéria-prima nos próximos meses.
No campo, o comportamento dos produtores tem sido dividido. Parte dos orizicultores opta por reduzir as vendas, considerando que os preços atuais ainda não cobrem adequadamente os custos de produção. Por outro lado, muitos agricultores continuam comercializando o produto para gerar caixa e liberar espaço de armazenagem após a colheita.
Os preços seguem pressionados. De acordo com o Indicador Cepea/Esalq, a saca de 50 quilos de arroz em casca foi negociada a R$ 59,24 nesta terça-feira (2). O valor representa queda de 0,39% nos primeiros dias úteis de junho.
O movimento dá continuidade à tendência observada em maio. No último dia útil do mês, a saca era cotada a R$ 59,47, acumulando desvalorização de 4,54% ao longo do período. A expectativa do mercado agora é acompanhar os reflexos dos leilões da Conab e o comportamento da demanda nas próximas semanas.
Fonte: Globo Rural
Foto: Sebastião José de Araújo/Embrapa