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EUA Isentam Carne Bovina e Couro do Brasil de Sobretaxa de 12,5%

Publicado em: 24/07/2026
EUA Isentam Carne Bovina e Couro do Brasil de Sobretaxa de 12,5%

A carne bovina brasileira, além de couros, peles e diversos subprodutos de origem animal, ficou oficialmente fora da sobretaxa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos. A medida tarifária foi anunciada pela Casa Branca como resultado de investigações norte-americanas sobre supostas práticas de trabalho forçado. A confirmação da isenção ocorreu após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) divulgar os anexos com a lista discriminada dos produtos que foram preservados do novo imposto de importação.

Embora o Brasil estivesse listado entre as nações elegíveis para a aplicação das barreiras tarifárias adicionais, os principais itens da pauta pecuária nacional foram resguardados do impacto. A justificativa do governo norte-americano fundamenta-se no fato de que os insumos brasileiros constituem matérias-primas críticas, cuja taxação provocaria um cenário iminente de desabastecimento no mercado consumidor dos EUA. Vale ressaltar que os pecuaristas norte-americanos enfrentam atualmente o menor rebanho bovino registrado no país nos últimos 70 anos.

Com essa determinação, as embarcações de proteína bovina do Brasil manterão a operacionalidade sob o regime comercial previamente estabelecido, preservando o sistema de cotas tarifárias vigente. Já a exclusão de couros e peles da lista de sanções atendeu a uma pressão direta de setores industriais dos próprios Estados Unidos. Fabricantes das cadeias automotiva e calçadista dependem do insumo brasileiro de alta qualidade como base para suas linhas de montagem. O documento do USTR também isentou ingredientes e subprodutos destinados à fabricação de rações para bovinos, aves, pet food e aquicultura.

Apesar da isenção concedida à carne, o relatório publicado pelo órgão norte-americano trouxe forte teor político, manifestando descontentamento com a aproximação comercial entre o Brasil e o mercado chinês. O documento alegou incômodo ao citar que as remessas brasileiras de carne congelada para a China superaram os embarques dos produtores norte-americanos, que vêm registrando retração. O relatório tentou vincular o crescimento das exportações brasileiras na última década a disparidades de custo decorrentes de irregularidades trabalhistas no campo.

Em resposta imediata, o governo brasileiro repudiou integralmente as acusações norte-americanas e criticou a imposição de medidas unilaterais. Em posicionamento oficial assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o Itamaraty ressaltou que as sanções impostas são incompatíveis com as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC). O Ministério das Relações Exteriores destacou que o Brasil é referência no combate ao trabalho análogo à escravidão, possuindo legislação penal rígida e instrumentos consolidados de fiscalização pública, como a "lista suja".

Dados de organismos internacionais reforçam o contraponto brasileiro diante do relatório de Washington. O levantamento do Global Slavery Index, apresentado pela fundação Walk Free ao G20, aponta uma assimetria na balança comercial global: os Estados Unidos adquirem anualmente cerca de US$ 169,6 bilhões em mercadorias sob risco de trabalho forçado em suas cadeias globais de suprimento. O volume de compras norte-americanas com esse tipo de suspeita é 30 vezes superior ao registrado pelo Brasil, que importa aproximadamente US$ 5,6 bilhões no mesmo perfil de risco.


Fonte: Canal Rural
Foto: Vide Fonte