Queda nos Custos da Ração e Alta do Frango Elevam Margens da Avicultura em SP
O balanço financeiro para as granjas paulistas de corte fecha o mês de junho com um cenário altamente favorável. Uma combinação técnica de valorização no preço do frango vivo na porteira e queda consistente nas cotações dos grãos fez o poder de compra do avicultor de São Paulo registrar o terceiro mês consecutivo de expansão. De acordo com o monitoramento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), embora a valorização do animal pronto para abate tenha perdido o ritmo agressivo visto entre abril e maio, o setor sustentou seu viés de alta. Na parcial do mês, o preço médio do quilo do frango vivo no estado ficou em R$ 5,12, um avanço de 1,1% frente ao período anterior, mesmo diante de uma demanda varejista mais tímida.
Se o preço do frango garantiu a estabilidade do faturamento, o alívio real nas margens do produtor veio diretamente da ala dos insumos operacionais. O custo de formulação da ração recuou de forma expressiva, puxado pelos dois principais componentes da dieta das aves: o milho e o farelo de soja. No caso do milho, o avanço da colheita da safra ampliou a oferta física no mercado físico (spot), forçando a queda nas cotações diante de compradores retraídos. Já o farelo de soja seguiu pressionado para baixo devido à forte disponibilidade interna do derivado após o processamento da safra pelas indústrias esmagadoras.
Esse cenário macroeconômico destravou o melhor poder de compra para o setor em meses, melhorando significativamente os índices de rentabilidade no campo. Com a receita obtida na venda de apenas 1 kg de frango vivo, o avicultor paulista passou a conseguir adquirir 4,82 kg de milho, o que representa uma evolução de 3,9% na capacidade de compra se comparado ao mês de maio. O ganho foi ainda mais expressivo na relação com o farelo de soja, cujo poder de troca saltou 3,7% no mês, permitindo a compra de 3,06 kg do insumo e consolidando o melhor resultado de troca para o produtor desde novembro de 2025.
A tendência para a virada do semestre aponta para a manutenção de margens operacionais saudáveis em todo o estado de São Paulo. Esse fôlego extra no caixa chega em um momento estratégico, dando maior capacidade financeira para o produtor gerenciar os desafios sanitários e as despesas com o alojamento de pintinhos, fatores que são tipicamente mais exigentes durante os meses de inverno.
Fonte: Agrimidia
Foto: Vide Fonte