Aves

Produtores de Frango Focam em Biosseguridade na 1ª Feira Aves Seara

Publicado em: 28/06/2026
Produtores de Frango Focam em Biosseguridade na 1ª Feira Aves Seara

A rentabilidade da avicultura de corte tem impulsionado investimentos e a expansão de granjas no Paraná. Exemplo disso vem de Nova Esperança, no noroeste do estado, onde a família Orélio garantiu financiamento para saltar de uma capacidade de 60 mil aves para 228 mil. No entanto, os produtores reconhecem que o crescimento exige responsabilidade redobrada com os protocolos de biosseguridade, uma vez que a entrada de enfermidades de notificação compulsória nas granjas comerciais representaria o fim das atividades produtivas.

Para mitigar os riscos biológicos, o rigor no manejo diário tornou-se inegociável nas propriedades rurais. Medidas restritivas severas, como a proibição total de visitas externas às instalações e a erradicação de plantas frutíferas próximas aos galpões para evitar a atração de aves silvestres, fazem parte da rotina. Além disso, os processos de desinfecção rigorosa de veículos e equipamentos na entrada da propriedade são seguidos à risca pelos avicultores para blindar o rebanho.

Esse compromisso com a defesa sanitária foi o tema central da 1ª Feira Aves Seara, evento que reuniu mais de 1,6 mil produtores em Arapongas, no norte do Paraná. Durante o encontro, lideranças e autoridades do setor reforçaram que a segurança biológica é a prioridade máxima do segmento. Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), destacou que, embora existam gargalos logísticos, ambientais e tributários no país, nenhum desafio supera a relevância de manter o status sanitário das granjas.

O ex-ministro da Agricultura e conselheiro da ABPA, Francisco Turra, corroborou o alerta, enfatizando que falhas na sanidade podem desestruturar toda a cadeia produtiva. O Brasil se destaca globalmente por adotar práticas de manejo exemplares, mantendo o plantel comercial historicamente protegido. O histórico recente aponta um controle rígido e isolado do país, com apenas um registro pontual de influenza aviária em maio de 2025 (Montenegro-RS) e um caso de doença de Newcastle em maio de 2024 (Anta Gorda-RS), ambos controlados sem alastramento.

A excelência sanitária funciona como o principal cartão de visitas do agronegócio brasileiro para a abertura e manutenção de mercados internacionais altamente exigentes. Segundo especialistas, a competitividade em custos e a qualidade final da carne de aves perdem o valor se não houver garantias de saúde animal. Essa reputação consolidou o Brasil como o único grande player mundial relevante na exportação de aves e suínos a operar com tamanha segurança epidemiológica.

De acordo com José Antônio Ribas Júnior, diretor executivo de agro da Seara, a eficiência do modelo nacional ficou comprovada pela velocidade de resposta diante de focos passados. O executivo apontou que o treinamento contínuo e a forte sinergia entre produtores integrados, o poder público e a iniciativa privada permitiram a eliminação de ameaças em menos de 72 horas. O evento reforçou que a manutenção desse ecossistema protegido depende diretamente da disciplina contínua de cada produtor no campo.

Fonte: Globo Rural
Foto: Sérgio Ranalli